1) Vocês começaram a namorar e depois de um tempo resolveram transar. Não sabiam que isso poderia levar a uma gravidez não planejada?
Renata - Sabia, claro, mas a gente sempre acha que não vai acontecer. Ora, por que justamente eu, que não quero filho por enquanto, vou engravidar? Tanta gente faz tratamento para isso e não consegue, por que eu? Daí você não se cuida. E acontece.
Rinália - Eu sabia mais ou menos. Não tinha ninguém para me dizer que coito interrompido, por exemplo, não é seguro. Se até hoje tem menina que não sabe, imagine há nove anos.
Ellen - Comigo foi um acidente de percurso. Eu tinha ido à médica e ela me receitou pílula. Estava tomando direitinho. Então, pensei: pra que camisinha? Como é que eu ia adivinhar que até a pílula poderia falhar?
Paola - Eu não posso dizer que não sabia. Minha mãe sempre me informou a respeito de tudo. Mas sabe como é... Você vai meio na sorte.
Daniele - Eu posso dizer a mesma coisa que a Paola. Não foi por falta de informação. Mas acontece que quanto mais liberdade a gente tem, mais quer provar. E, na hora da empolgação, quem vai pensar em gravidez? Vamos que vamos!
2) Como vocês se sentiram quando tiveram a confirmação que estavam grávidas?
Renata - Assustada, apavorada, tudo ao mesmo tempo e no mesmo minuto. Peguei o exame e fiquei com ele na mão por duas horas. Eu não acreditava que aquilo estivesse acontecendo comigo. Como é que pode? Eu fui ao laboratório fazer um exame de anemia, nem desconfiava que estava grávida. Minha menstruação estava vindo normalmente, por que iria desconfiar? Na verdade, eu estava grávida de quatro meses e não sabia.
Rinália - Minha menstruação não desceu, mas eu não estava suspeitando de nada. Até tomei remédio para ver se regulava. Fiz teste de farmácia e fiquei na mesma. Mas quando tive a confirmação do exame de laboratório, comecei a chorar. Eu só pensava: “O que vai ser da minha vida? O que a minha mãe vai dizer?”. Mas, ao mesmo tempo, eu fiquei feliz. É muito confuso. Parece que passa um furacão de emoções em segundos.
Ellen - Eu andava com cólica, mas achei que era do remédio. Até que a dor aumentou e eu fui à médica sem dizer nada à minha mãe. Quando contei que minha menstruação estava atrasada e ela pediu um exame, ainda pensei: “Tudo bem, ela vai dar com a cara no muro. Imagine se estou grávida!”. Mas quando veio a confirmação, eu desmontei. Gozado, no primeiro minuto me deu uma emoção muito forte. Depois, bateu um medo enorme de tudo: de contar para a minha mãe, da reação do meu padrasto que é supernervoso, de não saber cuidar direito de um bebê...
Paola - Quando eu fiquei sabendo, já estava de sete meses. Minha menstruação estava normal, então eu nem liguei. Só fui ao médico porque achei que estava engordando demais. Quando o médico fez um ultra-som para saber se tinha alguma coisa, foi ele que ficou nervoso. “Menina, você está louca? Daqui a pouco nasce.” E eu respondi: “Pera aí, nasce o que?” E ele: “Você já está de sete meses. Como não sabia?” Aí eu apaguei. Comecei a chorar e a dizer que nunca mais ia sair daquela sala. Como eu ia enfrentar minha família?
Daniele – Eu sabia que estava grávida, mas não queria admitir. Tanto é que escondi até os quatro meses. Na minha cabeça, eu até achava que poderia esconder pra sempre, que ninguém nunca ia ficar sabendo e que, de algum modo, eu ia dar um jeito no assunto. Até que não deu mais e falei com meu namorado. Quando ele me levou ao médico, que depois do exame me aconselhou a fazer o pré-natal, é que caiu a ficha. Meu namorado ficou feliz e eu dizia que não poderia ter a criança de jeito nenhum. Como eu iria encarar todo mundo?
3) Foi difícil contar para os seus pais? E depois? Vocês se sentiram apoiadas pela família?
Renata – Levei mais de um mês pra contar. No fim, foi minha irmã, a meu pedido, que acabou falando com a minha mãe. Ela ficou chateada por não ter contado antes. Bem que eu queria, mas tinha medo. Imagine como fiquei atormentada. No começo, todo mundo na minha casa ficou abalado, mas depois eu tive apoio total. Hoje, a minha filha é o centro da família.
Rinália – Eu já trabalhava como modelo desde os 13 anos. Era independente financeiramente, achava que já era adulta. Mas na hora tremi na base. Minha avó, com quem eu morava em Porto Alegre, levou um choque. Minha mãe, que morava em Santa Catarina, só soube brigar por telefone, pressionando para que eu tirasse a criança e dizendo que minha vida ia virar um inferno. O interessante foi o meu pai. Quando eu cheguei em casa, lá estava ele. Veio de Brasília só para me ver. Foi o único que me deu apoio, pelo menos naquele momento. Bom, depois acho que se acostumaram com a idéia. Minha mãe até que escrevia cartas lindas. Meu pai telefonava sempre. Mas eu tive mesmo que me virar sozinha.
Ellen – No primeiro momento, foi barra. Tinha medo de falar, principalmente pela reação do meu padrasto. Depois tive que ter uma força de vontade para não ceder à pressão. Todo mundo queria que eu não tivesse a criança. Mas enfiei na cabeça que ia tê-la de qualquer maneira.
Paola – Eu contei logo que eu cheguei do médico e tive apoio total da minha família. Estava tão nervosa que a minha mãe chamou uma psicóloga para conversar comigo. Meu pai, que no fundo já sabia, só faltou me pegar no colo. Não me senti desamparada nem um minuto. Só não tive apoio do meu namorado porque ele estava no Japão e nem sabia que eu tinha engravidado.
Daniele – Foi uma guerra. Minha mãe ficou doente. Meu pai não falava comigo. A família do meu namorado nem admitia a idéia de aborto. A minha insistia, dizendo que a responsabilidade de cuidar da criança ia ser toda minha. E eu, no meio do fogo cruzado, sem saber o que fazer. E nós dois brigando até que acabamos o namoro. Só voltamos depois que a minha filha nasceu. Agora, está tudo uma maravilha. As duas famílias querem o bebê.
4) Durante a gravidez, passou pela cabeça de vocês tudo o que teriam que deixar de fazer por ter que cuidar de um bebê?
Renata – A vida muda completamente. Antes, eu só estudava, não tinha que trabalhar, só tinha que cuidar de mim mesma. Quando a minha filha nasceu, repeti o ano e não saia pra nada. Mesmo minha mãe não trabalhando fora, era eu quem cuidava do bebê. As vezes, queria sair um pouco, mas ela não deixava. Eu ficava louca da vida. Hoje acho que a minha mãe tinha razão. Não era justo ela ficar em casa cuidando do bebê. Afinal, a filha é minha. Quando a gente fica grávida muito jovem, acaba perdendo um bocado. Afasta-se dos amigos, para de estudar. E as coisas próprias da adolescência perdem o sentido. De repente, ir a uma festa já não é mais importante.
5) Você começa a se preocupar se a criança ta bem, se está dormindo... É uma mudança radical na vida de qualquer menina.
Rinália – Para mim, no inicio, só importava o meu filho. Mas depois de um tempo comecei a sentir a pressão do que estava perdendo. Com pouca idade eu casei, virei mãe e tinha que cuidar de tudo sozinha. Não estava preparada, nem tinha maturidade para isso. Quantas vezes eu deixei a comida queimar enquanto amamentava meu filho assistindo ao programa da Xuxa! Não adianta... Todo mundo começa a te cobrar uma postura de adulta, mas a gente continua sendo adolescente. A cabeça não muda de uma hora para outra só porque você teve um filho.
Ellen – Ainda não tenho um bebe, mas já sinto que não da mais para curtir as coisas de adolescente. Não saio mais como antes, não fico brincando na piscina nem posso jogar futebol. Como é que eu vou zuar com esse barrigão? Acho que depois vai ser até mais difícil. Não levo o menor jeito para cuidar de criança. É muito complicado pensar que daqui a um tempo vai ter alguém que vai depender só de mim.
Paola – Sempre saio pouco, e até esse pouco eu perdi. Mas ai pensei: “Posso fazer tudo isso mais tarde junto com minha filha!”
Daniele – Será que você vai levá-la junto quando for namorar?
Rinália – Como você vai fazer com ela num programa by night?
Daniele - Sempre fui muito paquerada onde moro. Aí eu pensei: “Ai meu Deus, quando souberem que estou grávida, meu ibope vai despencar. Ninguém mais vai querer ficar comigo”. Parei de estudar porque tinha vergonha de ir à escola. Hoje esta tudo bem. Como minha mãe cuida do bebê, posso sair como qualquer menina da minha idade.
6) Vocês se sentiram inseguras em relação às mudanças do corpo? Tinham ciúme do namorado, ficaram com medo de perdê-lo porque estavam engordando?
Renata – Eu me achava linda grávida. E nunca me preocupei se meu ex-namorado ia procurar outra menina. Quanto ao ciúme, eu já tinha muito antes de engravidar.
Rinália – Fiquei insegura devido à minha profissão. Achei que minha carreira, que tinha começado tão bem, havia ido pro espaço. Mas depois do nascimento do meu filho, meu corpo voltou ao normal. Mas que bate insegurança bate.
Ellen – Estou me sentindo insegura, com ciúme, enorme de gorda, a última das criaturas. Vejo aquelas menininhas de miniblusa e shortinho e não tenho coragem de usar. Outro dia me recusei a usar biquíni. Eu me enxergo, caramba! Morro de vontade de usar blusa curta e calça de cintura baixa, mas minha mãe diz que é meio depravado.
Paola – Como meu namorado estava longe, no Japão, não me senti insegura em relação a ele. Até mandei uma foto de biquíni quando estava grávida! Agora, se quando ele voltar não quiser mais ficar comigo, o que eu posso fazer?
Daniele – Olha, eu não me sentia insegura, não. Ao contrario. Como eu sou muito magrinha, até gostei de ter engordado um pouco... E o legal é que meu namorado fez de tudo para demonstrar que gostava de mim do mesmo jeito.
7) As pessoas continuam olhando torto para uma menina grávida?
Renata – Com certeza! A primeira coisa que dizem é: “Coitadinha!” Essa é a palara-chave. Depois, o que eu não agüentava escutar era: “Coitado do seu pai”. Eu ficava louca da vida com isso! Eu não tinha feito nada pra ele. Era como se eu tivesse aprontado a pior coisa do mundo.
Rinália – Primeiro, olham na tua mão para ver se você tem aliança. Se não tem, é um deus-nos-acuda. Depois te olham tão novinha, com aquele barrigão, e com certeza pensam: “É uma galinha”. Muitos viram pra você e dizem: “Puxa, será que não podia ter esperado até casar?”
Paola – Eu só percebi o preconceito depois que a minha filha nasceu. Alguém chegou a dizer “Nossa, nem precisa fazer o exame de DNA. Ela é a cara do pai”. Deu vontade de responder: “Teste de DNA pra que? Ou você esta achando que eu andei com todo mundo no bairro??”
8) Quando a menina fica sozinha depois da gravidez, vocês acham que é mais difícil arrumar um namorado porque já tem um filho?
Renata – No meu caso não foi. Meu namorado é dois anos mais novo e não se importa por eu ter uma filha.
Rinália – Pra mim também não foi difícil. Eu casei com o pai do meu filho, mas não deu certo. É aquela velha historia. Empurraram dois adolescentes para o casamento sem nenhuma maturidade pra isso. Depois, quando meu filho tinha 4 anos, conheci o Alexandre. Pra ele tudo bem, mas pra família dele foi um choque. Me acharam uma aproveitadora. Como se eu fosse ficar com ele pra ser sustentada!
Paola – Acho que os meninos estão mudando e não ligam muito. Eu digo isso pela força que os meus amigos me dão. Acho até gozado quando alguns me dizem que minha filhinha precisa ter pai. Eu sempre digo: “Espera ai. Pai ela tem. Ele só esta longe”
Daniele – Não sei, eu acho que não. Pelo menos os caras que eu conheço acham que, se a menina já é mãe, a cabeça dela deve ter mudado e a gente já não é mais tão criança.
9) Se vocês pudessem enxergar com muita clareza todas as mudanças que uma gravidez iria trazer, teriam mais cuidado, enfim, esperariam para ter o filho depois?
Paola – Eu, sim. Eu tinha uma idéia do que poderia ser, mas como disse, tinha aquela esperança de que comigo ia dar tudo certo. Se eu tivesse tudo na cabeça, com certeza tomaria muito mais cuidado.
Daniele – É uma coisa que acontece... mas sim, com certeza.
Renata – Eu me preveniria, sim, deixaria para ter o filho mais tarde.
Ellen – No meu caso, não foi falta de prevenção.
Rinália – Sabe o que acontece? A gente quando é adolescente é muito eu posso, eu sei, eu consigo. A gente não leva em conta a opinião de mais ninguém, só a nossa. Eu passei a dar muito mais valor a meus pais depois que tive meu filho. Tanto que meu segundo filho foi muito planejado.
10) Vocês pararam de estudar quando ficaram grávidas? Quais os planos para o futuro?
Renata – Eu parei. Quando tive a minha filha, repeti o ano. Mas depois voltei a estudar e já terminei o colegial. Este ano vou tentar o vestibular para Fisioterapia.
Rinália – No ano em que fiquei grávida, “rodei” em duas matérias e parei. Depois de nove anos, no ano passado retomei meus estudos e estou fazendo supletivo junto com um curso de teatro. Espero continuar a estudar, trabalhar, cuidar dos filhos, da casa, do marido.
Ellen – Fiz matricula para o supletivo, mas tive que trancar. Mesmo assim, vou fazer as provas ainda este ano. Pretendo continuar trabalhando e ir pra frente cada vez mais. Acho que meu filho, ou filha, porque ainda não sei o sexo do bebê, vai me dar muita garra para continuar a lutar, por mim e por ele.
Paola – Continuo estudando no colegial e não penso em parar. Volto a trabalhar em maio. Quando terminar o colégio, penso em fazer uma faculdade e estudar inglês e japonês.
Daniele – Eu parei de estudar no ano passado quando fiquei grávida. Agora pretendo voltar a fazer supletivo. Espero conseguir retomar meus estudos e, um dia, me formar na faculdade, até para que eu possa cuidar melhor da minha filha.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
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